Não há nada aqui
É isso que lê-se no centro da página, preto no branco, no meu blog recém-formado. Minha mente perambula por aí, pensando em como dar início ao que eu espero que seja um hábito contínuo de agora em diante. Mas, sabendo justamente da importância simbólica que esse começo teria, falho e caio nas fórmulas prontas, nas purple proses. É por esperar tanto desse hábito, ainda não cultivado, que eu acabo por prejudicar suas chances de se manter.
Indo direto ao ponto: quero encher esse blog. Enche-lo com o que quer que seja: artigos de opinião, redações, talvez poesia e decerto alguma narrativa - uma receita de bolo, vá lá que seja! Contanto que eu possa dizer que saiu da minha cabeça, contanto que eu sinta que esteja produzindo alguma coisa, contanto que eu não me sinta estagnada num anticlímax fútil e enjoado... pra mim, basta.
Esse é o propósito desse blog: retomar um hábito há muito esquecido. Faço-o, admito, em parte por orgulho. Não quero perder um hobby louvado no meio intelectual e pedagógico como escrever, e não quero perder a glória intrínseca que com ele vem. Mas, mais importante, não quero me sentir como uma antiga relíquia, que de relíquia não tem nada, embora de antiga, empoeirada, tenha tudo. Quero por esse cérebro (e minha tendinite) à prova.
Tenho medo, admito, de que as ocupações da adolescência e as redes sociais tenham me tornado supérflua demais. Digo, claro que sempre fui supérflua. Não sou um poço de inteligência e me apego às aparências de uma forma tal que não chego a conhecer o conteúdo. Será que é inevitável essa minha burrice, improdutividade?
Até certo tempo, não era. Fui a típica "garota prodígio": saí num jornal por ler muito, era admirada por todos os professores e, o que é mais importante, não duvidava da genuinidade do meu amor pelo conhecimento.
Mas os tempos mudaram. Estou agora no Ensino Médio, onde os resultados são prioridade (sim, até para os professores mais "diferentões", que por sinal merecem uma publicação só sobre eles). É inevitável que o que era outrora natural, como o ato de ler um livro, seja contaminado por mil e uma opiniões de cunho novo: é um clássico, é "coisa de gente inteligente", é longo demais, é curto demais, vai cair no SSA, vão me achar esperta com ele, é "coisa de gente burra", etc, etc. Mesmo que eu não siga a linha de qualquer uma dessas afirmações acerca de qualquer livro, eu, por estar ciente dessas possíveis opiniões, não enxergarei o ato de ler um livro da mesma forma que o fazia aos seis anos, quando eu inocentemente me sentava no chão do quarto e me deixava envolver por uma história.
Não mais. Agora é "será que estou demorando demais pra ler isso?", "O que diriam?", "Será que eu lia tudo isso bem mais rápido antigamente?". Vivendo à sombra do meu passado continuamente, e ansiando por me destacar no futuro, sou absolutamente incapaz de me ver no presente.
Inclusive neste momento, ao digitar isso. Não me sinto humana, não me sinto presente aqui - sou uma máquina que descreve as sinapses do meu cérebro. Não há arte, não me sinto leve - me sinto como antes, porque minha mente continua fixa no que a minha professora de português diria se lesse meu texto, ou no que meu pai diria se me visse acordada à essa hora. Novamente, isso tudo contamina o ato de criar, o ato de escrever. E eu estou irremediavelmente contaminada.
Mas talvez não seja impossível amenizar os efeitos. E para isso tenho esse blog: para reconhecer, de forma pessoal e direta, que, fatalmente, falta-me mente, falta-me conhecimento e intelecto, sim, mas acima de tudo, sabedoria. E para tentar, pouco a pouco, recuperar o restinho de criatividade que, com muita fé eu espero, ainda existe em mim.
Esse texto é de uma pessoa angustiada. Angustiada, mas produtiva - escrevi um texto! Parabéns pra mim. Faltam somente cinco mil tarefas, e então poderei dormir em paz, na esperança que um dia serei capaz de escrever, de criar, de produzir para ninguém mais além de mim mesma. Com a confiança para dizer: "esse texto é meu. Não me importa o que fulano pensaria dele; ele é meu, e só".
E sabe de uma coisa? É bom já ir me exercitando. Bem, esse texto pertence a mim e a mim somente. Caguei se alguém vai acessar o blog ou não. Não vou divulga-lo nem nada. Isso porque esse texto tem agora vida própria, e o que acontece entre eu e ele não cabe a mais ninguém. Então, do fundo do coração, caguei.
Sem análise, sem edição. Vou apertar em "publicar" e atualizar a página, e o aviso de "Não há nada aqui" sumirá.
Logo agora, que eu estava achando bonitinho?
Indo direto ao ponto: quero encher esse blog. Enche-lo com o que quer que seja: artigos de opinião, redações, talvez poesia e decerto alguma narrativa - uma receita de bolo, vá lá que seja! Contanto que eu possa dizer que saiu da minha cabeça, contanto que eu sinta que esteja produzindo alguma coisa, contanto que eu não me sinta estagnada num anticlímax fútil e enjoado... pra mim, basta.
Esse é o propósito desse blog: retomar um hábito há muito esquecido. Faço-o, admito, em parte por orgulho. Não quero perder um hobby louvado no meio intelectual e pedagógico como escrever, e não quero perder a glória intrínseca que com ele vem. Mas, mais importante, não quero me sentir como uma antiga relíquia, que de relíquia não tem nada, embora de antiga, empoeirada, tenha tudo. Quero por esse cérebro (e minha tendinite) à prova.
Tenho medo, admito, de que as ocupações da adolescência e as redes sociais tenham me tornado supérflua demais. Digo, claro que sempre fui supérflua. Não sou um poço de inteligência e me apego às aparências de uma forma tal que não chego a conhecer o conteúdo. Será que é inevitável essa minha burrice, improdutividade?
Até certo tempo, não era. Fui a típica "garota prodígio": saí num jornal por ler muito, era admirada por todos os professores e, o que é mais importante, não duvidava da genuinidade do meu amor pelo conhecimento.
Mas os tempos mudaram. Estou agora no Ensino Médio, onde os resultados são prioridade (sim, até para os professores mais "diferentões", que por sinal merecem uma publicação só sobre eles). É inevitável que o que era outrora natural, como o ato de ler um livro, seja contaminado por mil e uma opiniões de cunho novo: é um clássico, é "coisa de gente inteligente", é longo demais, é curto demais, vai cair no SSA, vão me achar esperta com ele, é "coisa de gente burra", etc, etc. Mesmo que eu não siga a linha de qualquer uma dessas afirmações acerca de qualquer livro, eu, por estar ciente dessas possíveis opiniões, não enxergarei o ato de ler um livro da mesma forma que o fazia aos seis anos, quando eu inocentemente me sentava no chão do quarto e me deixava envolver por uma história.
Não mais. Agora é "será que estou demorando demais pra ler isso?", "O que diriam?", "Será que eu lia tudo isso bem mais rápido antigamente?". Vivendo à sombra do meu passado continuamente, e ansiando por me destacar no futuro, sou absolutamente incapaz de me ver no presente.
Inclusive neste momento, ao digitar isso. Não me sinto humana, não me sinto presente aqui - sou uma máquina que descreve as sinapses do meu cérebro. Não há arte, não me sinto leve - me sinto como antes, porque minha mente continua fixa no que a minha professora de português diria se lesse meu texto, ou no que meu pai diria se me visse acordada à essa hora. Novamente, isso tudo contamina o ato de criar, o ato de escrever. E eu estou irremediavelmente contaminada.
Mas talvez não seja impossível amenizar os efeitos. E para isso tenho esse blog: para reconhecer, de forma pessoal e direta, que, fatalmente, falta-me mente, falta-me conhecimento e intelecto, sim, mas acima de tudo, sabedoria. E para tentar, pouco a pouco, recuperar o restinho de criatividade que, com muita fé eu espero, ainda existe em mim.
Esse texto é de uma pessoa angustiada. Angustiada, mas produtiva - escrevi um texto! Parabéns pra mim. Faltam somente cinco mil tarefas, e então poderei dormir em paz, na esperança que um dia serei capaz de escrever, de criar, de produzir para ninguém mais além de mim mesma. Com a confiança para dizer: "esse texto é meu. Não me importa o que fulano pensaria dele; ele é meu, e só".
E sabe de uma coisa? É bom já ir me exercitando. Bem, esse texto pertence a mim e a mim somente. Caguei se alguém vai acessar o blog ou não. Não vou divulga-lo nem nada. Isso porque esse texto tem agora vida própria, e o que acontece entre eu e ele não cabe a mais ninguém. Então, do fundo do coração, caguei.
Sem análise, sem edição. Vou apertar em "publicar" e atualizar a página, e o aviso de "Não há nada aqui" sumirá.
Logo agora, que eu estava achando bonitinho?
Nem eu vou falar de progressão. Falo, com prazer, da liberdade. Do que dizem, aqueles que escrevem, ser uma extensão de seus corpos: a caneta. Não necessariamente ela. Quando o papel (e também não necessariamente o papel) te chama para uma prosa - ou poesia - aceite, como for, o convite. Leio tudo isso com um largo sorriso no rosto. Essa liberdade é também descoberta. :)
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