autobiográfico

     Sou manifestação da realidade, meu corpo é um cálice. Caixa de magia. Sou mil encantos, porta-enigmas. Sussurro milenal enfim ouvido, enfim encarnado: a culminação do sangue, da aspiração, do ser.

    Como quase não fui, sou com dupla intensidade. Pairo. Não deixo rastros. Sabe o escuro? Conhece o cômodo abandonado, a avó enlutada? É meu coração, essa pedra-lua teimosa. Criança esperneante que insiste que ama! que tem! 

    Meu coração é uma promessa: um dia, talvez...

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