zoologia urbana
cultivo dentro de mim uma tristeza
que me parece obscena
pulo como pulga
de vagão em vagão
busco acreditar
que há espaço pra mim
há espaço
é preciso correr à esquerda
é preciso parar à direita
é preciso dobrar para o lado certo
mas se perder só um pouco
pra ter o azar de conhecer
alguma coisa nova
um mapa de momentos
que logo esqueço
ruas cujo nome
ignoro
de vagão em vagão
vou deixando um rastro
dessa obscenidade
e troco suave de pele
troco sem notar
eu esqueço que sou bicho
mas o tempo vai lembrando
rastejando toda tímida
encontro meu assento
lá no último vagão
que de mim ninguém espere
nada
nada mesmo
me sento fecho os olhos
estações descontroladas
passam num só rio
não busco acompanhar
me perco só um pouco
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