metáforas para uma condição limítrofe

tudo rima em minha vida.

sou incapaz de fazer jus

a esse ritmo sem métrica

que me embala como embala

o mar ao meu corpo.


corda velha, não me afino

no tom desse samba.

desimpedido, ele me toma

me ocupa desde o ventre

até essas asas tortas

que ainda não sei usar.


felizmente, é maior

o mistério do que a carne

do que os limites em carvão

que me desenham e separam.

essa canção sempre tem

um verso a mais

e a noite na pedra do sal

é longa.


durmo infante no ombro quente

desse enredo infinito,

e confio que a voz-pandeiro

além do tempo

me borrará sem pressa as linhas.

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